Não se perde apenas a carteira, a chave do carro, o ônibus. Não se
perde apenas o juízo, a saúde, a vida. Não se perde apenas a vergonha, o
caráter, a reputação. Não se perde apenas o emprego, a oportunidade que
passa, mas não pára, o ente querido.
Perde-se também o ânimo, aquela força motriz que põe tudo em
movimento. Isso acontece com todo mundo, com o justo e com o pecador.
Raramente em alguns poucos casos, muitas vezes em outros casos. É uma
situação desagradável, ameaçadora e paralisante.
Davi perdeu o ânimo quando encontrou a cidade de Ziclague, onde
estavam sua mulher e seus filhos, as mulheres e os filhos dos seus
seiscentos companheiros, destruída pelo fogo, e quando percebeu que os
familiares tinham sido levados como prisioneiros pelos amalequitas. Mas
ele conseguiu reanimar-se no Senhor e então teve condições de reagir e
transformar por completo o quadro (1Sm 30.1-20).
Na menor de suas epístolas, Paulo pede sem acanhamento e sem rodeios a
Filemom: “Reanime o meu coração em Cristo” (Fm 20). Ele estava velho e
encarcerado. Na esperança de ser libertado em breve, ele pede também
pousada: “Prepara-me também pousada”. De fato, uma injeção de ânimo faz
bem. Uma boa saúde, uma boa situação financeira e um bom relacionamento
familiar podem tornar o desânimo mais difícil e menos frequente, mas não
são suficientes para manter o ânimo em todo o tempo e em todas as
circûnstânicas. O ânimo precisa ser mantido e renovado custe o que
custar, principalmente quando há algum baque emocional, de causa
conhecida ou não, de dentro para fora ou de fora para dentro. Somos
todos complicados, vulneráveis e frágeis. E as circûnstâncias nem sempre
ajudam. Daí a necessidade de algum socorro sem perda de tempo, de
alguma reanimação boca a boca! O mais urgente possível.
Não é a toa que Jesus dizia repetidas vezes: “Tenha bom ânimo” (Mt
9.2; Mc 10-49; Jo 16.33). Todos precisam de ânimo, principalmente
aqueles que estão à frente de algum empreendimento. Esta foi a receita
de Moisés a Josué: “Não tenha medo! Não desanime!” (Dt 31.8). Sem ânimo,
não se sai do lugar, não se avança, não se conquista nada e ainda se
contagia os outros.
Antes de solicitar a Filemom “reanime o meu coração em Cristo”, Paulo
faz uma referência elogiosa a ele: “Você, irmão, tem reanimado o
coração dos santos” (Fm 7).
Deus é a fonte de todo ânimo. Ele pode nos reanimar tantas vezes
quantas forem necessárias e nos transformar em reanimadores dos outros.
Esse bem poderia ser o nosso alvo esta semana.